Cronologia

Quando se trata da vida de Dante, muitas datas são conjeturais, pois quase sempre faltam aos estudiosos documentos que permitam decidir entre dias, meses, e mesmo anos, prováveis. Esta cronologia baseia-se sobretudo nas duas maiores autoridades contemporâneas em biografia dantesca, o italiano Giorgio Petrocchi e o norte-americano Robert Hollander.

Nascimento de Dante, em Florença.
Algum dia entre 14 de maio e 13 de junho de 1265
Batismo com o nome de Durante (de que Dante é a forma abreviada).
26 de março de 1266
Morte da mãe de Dante, Bella.
Entre 1270 e 1275
Aos nove anos, primeiro encontro com Beatriz.
1274
Contrato do futuro casamento com Gemma Donati.
9 de janeiro de 1277
Escrita dos poemas depois recolhidos na Vida Nova.
1283-1293
Casamento com Gemma.
1285
Breve estada em Bolonha; data provável da redação de Il Fiore.
1286-1287
Nascimento do primeiro filho de Dante.
1287
Participação na batalha de Campaldino e no sítio a Caprona.
1289
Morte de Beatriz.
8 ou 19 de junho de 1290
Trinta meses de estudos em escolas de religiosos, provavelmente com os dominicanos no convento de Santa Maria Novella e com os franciscanos no de Santa Croce.
1291-1294
Escrita da prosa da Vida Nova; morte do mestre de Dante, Brunetto Latini; estada do príncipe Carlos Martel de Anjou em Florença (primeiro personagem político de importância que Dante conheceu pessoalmente); eleição e abdicação do Papa Celestino V; ascensão do Papa Bonifácio VIII.
1294 (“ano mais, ano menos”, segundo Guglielmo Gorni)
Inscrição do nome de Dante na Arte dei Medici e Speziali (Guilda dos Médicos e Apotecários), exigida por lei para ingressar na vida pública.
Por volta de 1295
Início da carreira política, entre os Trentasei del Capitano (trinta e seis representantes das camadas mais pobres da população).
De 1° de novembro de 1295 a 30 de abril de 1296
Posto assumido no Conselho dos Cem.
1296
Composição das rimas “pedrosas”.
Por volta de 1296
Primeiras evidências de problemas financeiros.
1297
Pouca atividade literária.
1298-1303
Crise na política de Florença; exílio de Corso Donati, líder dos Guelfos Negros e, provavelmente, primo da mulher de Dante.
1299
Ano do Jubileu proclamado por Bonifácio VIII.
Em 7 de maio, Dante é designado embaixador em San Gimignano; em 13 de junho, elege-se como um dos seis priores de Florença; em 23 de junho, eclodem hostilidades entre as facções políticas florentinas; o conflito no interior do partido dos Guelfos (que de início apoiava o Papado contra o Império, representado pelos Gibelinos), entre Brancos (burgueses) e Negros (egressos das antigas linhagens decadentes), resulta em quinze integrantes das duas facções (entre os Brancos, Guido Cavalcanti) banidos pelos priores (ou seja, também por Dante); os Negros reclamam do banimento ao Papa; em julho, ocorre um atentado contra o núncio papal, e os Negros são postos para fora da cidade; em setembro, termina o período de Dante como prior; os novos priores revogam o banimento dos Brancos, o que é interpretado pelo Papa como ofensa.
1299
Dante presente em vários encontros do Conselho dos Cem.
Em 19 de junho, sozinho contra todo o conselho, ele se opõe à anuência, por Florença, à solicitação, pelo Papa, de que a cidade guarnecesse as tropas em Maremma (causa provável de sua posterior condenação pelos Negros). Em outubro, uma delegação florentina vai ao Papa, e possivelmente Dante está junto; Dante fica detido em Roma quando o Papa envia a maioria do grupo de volta para Florença. Em novembro, saque de Florença pelos Negros e entrada de Charles de Valois, que está com o Papa, na cidade.
1301
Início do exílio de Dante e provável início da escrita do tratado De vulgari eloquentia, que permanecerá inconcluso (abandonado provavelmente em 1305).
Em 27 de janeiro, é banido de Florença por dois anos; teria de pagar 5 mil florins de multa para retornar. Em 10 de março, a sentença de Dante, junto com as de outros 14 exilados, é mudada para pena de morte: seria queimado vivo se retornasse a Florença. No mesmo ano, participa de reuniões com outros exilados para planejar a guerra contra os Negros, mas os planos não vão adiante.
1302
Contínuas derrotas da aliança entre Brancos e Gibelinos em Mugello. Em maio ou junho, primeira estada em Verona. Em 11 de outubro, morte do Papa Bonifácio VIII; em 22 do mesmo mês, eleição do Papa Bento XI.
Primavera de 1303
Provável início da escrita do Convivio, que ficará inconcluso (terminaria o quarto tratado dos quinze previstos por volta de 1307), e também da Divina Comédia (mas o trabalho nesta só se intensificaria a partir de 1306).
Entre março e junho, tentativas malogradas de pacificação das facções dos Guelfos, por um enviado do Papa, o cardeal Niccolò da Prato. Em maio, chegada a Arezzo. Em 7 de julho, morte do Papa Bento XI. Em 20 do mesmo mês, derrota da aliança entre Brancos e Gibelinos em La Lastra (Dante havia rompido antes com a aliança, e estava em Arezzo naquela data, que é aquela do nascimento do aretino Petrarca).
1304
Dante se desloca por várias cidades italianas, como conselheiro político. Os períodos de maior duração são aqueles passados em Verona, junto ao príncipe Cangrande della Scala (de 1312 a 1318), e em Ravena, com Guido Novello da Polenta (de 1318 ou 1319 a 1321).
A partir de 1304
Eleição do Papa Clemente V.
5 de junho de 1305
Fim da redação do Inferno e início da do Purgatório.
1308
Provável viagem a Paris.
Entre 1309 e 1310
Viagem do imperador Henrique VII à Itália, para sua coroação pelo Papa; encontro entre Dante e o imperador e passagem por várias cidades italianas junto com a comitiva.
Entre 1310 e 1312
Fim da redação do Purgatório e início da revisão dos primeiros cânticos (Inferno e Purgatório), que ocupará o poeta até 1315.
1312
Rejeição da oferta de perdão pelos florentinos, que estavam sendo atacados pelo líder gibelino Uguccione della Faggiuola: Dante poderia retornar se pagasse uma multa bem menor que a inicialmente estipulada, mas preferiu permanecer exilado para não admitir uma culpa indevida.
1315
Escrita da epístola a Cangrande della Scala.
Entre 1315 e 1317
Início da escrita do Paraíso.
1316
Escrita do tratado político da Monarquia.
Por volta de 1318
Fim da escrita do Paraíso e, portanto, da Comédia.
Em agosto, missão como embaixador de Ravena em Veneza; na viagem, contrai malária; febre no retorno; morte na noite de 13 para 14 de setembro.
1321